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1 year ago
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“Chega a ser cansativo. Você vive todos os dias, na mesma rotina, praticamente os mesmos momentos. São as mesmas pessoas de sempre, a mesma mãe, o mesmo pai, o mesmo irmão ou irmã. Aquela mesma vizinha chata e resmungona, aquele mesmo garoto que fica te olhando ou aquela garota que te fita todas as vezes sem motivo nenhum. Sempre cheio de regras a ser seguidas, leis a serem cumpridas, tarefas a serem realizadas, mas pra que tudo isso? É segunda a sexta, escola ou trabalho, faculdade ou cursinho. Os mesmos professores, o mesmo chefe, a mesma coisa, e na real? A mesma vida! Você vive tudo, de cabo a rabo e espera que no final não vire uma lembrança guardada no fundo de um baú qualquer. Você espera ansiosa de que nada vire fumaça e suma, de que aquele dia… Ah sim! Aquele dia vai ser diferente. Porque tu vai levantar da cama, vai sorrir e falar “Hoje é, hoje vai ser totalmente desigual aos outros dias”. Confiante demais, não? Mas você não se importa, continua a persistir com as mesmas expectativas. Apesar de saber que irá se decepcionar, sua esperança não acaba. Gostas de imaginar sua vida como um filme. Um filme surpreendente. Várias possibilidades passam por sua mente, não é mesmo? Devaneios e mais devaneios. Mas nunca uma atitude para concretizá-los. Você até pensa em mudar, porém algo te desanima. Algo te puxa para baixo. Te irrita. Te atormenta. Te faz repensar sobre esta hipótese sobre mudar. Mas digo, mudar; mudar mesmo -não comer tal almoço diferente na segunda feira-. Revirar toda essa rotina de ponta cabeça. Fazer uma coisa louca a cada dia. Correr, fugir, gritar, chorar, espernear, rir. Tudo que deixe tuas emoções à flor da pele. Qualquer coisa que lhe faça lembrar os mínimos detalhes, que lhe faça pensar: ‘Nossa, como minha adolescência foi boa!’”
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1 year ago
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Ando cansada deste teatro que tornou-se minha vida. Pessoas vestidas de palhaços; de sorrisos falsos estampados na cara. Suas vidas são feitas por um roteiro, que eu chamaria de rotina. É sempre a mesma mesmice, todos magoando uns aos outros. É meu caro, a dor virou rotina na vida destas pessoas. Por quê? Simples, “se foder" está no roteiro deste teatro. Então você me pergunta: e qual é o seu papel nisso tudo? Ainda não descobri. Ás vezes acho que sou uma telespectadora; assistindo todo este horror. Outras vezes acho que sou uma atriz; vivenciando todo este horror. Mas sei, sei que não sou uma telespectadora, e muito menos uma atriz. Me machuco e sou sim capaz de machucar. Telespectadora? Temo que não. Atriz? Sem chance, se me ferir não será fingimento. Então quem sou? Diga-me, eu lhe imploro (…) Não contente, minha vida resolveu tornar-se um poço de tristezas também. A inocência se fora dando lugar à dor e seus componentes; dando lugar à este teatro. As cortinas se abriram, me deixando desprotegida; confusa. "O que está acontecendo? Que sentimento estranho é este que toma conta de meu peito?" Eram as perguntas mais frequentes. Logo, me acostumei. Fiquei quieta, mesmo com a dor incomodando-me. Minha voz não seria ouvida por ninguém. Meus lamentos seriam feitos em vão. Então pra quê gritar e espernear se ninguém ligará? Aprendi a sofrer sozinha; calada. Soa doloroso, não? Sofrer deste modo, com ninguém disposto à ajudá-la. Sim, no começo é difícil, mas a gente sobrevive. É tudo questão de costume. Escrevo esse texto porquê ainda não me acostumei com a encenação que tornou-se minha vida, mas um dia irei; sei que irei. Não é como dizem, toda dor passa? Sinto que as minhas palavras são muito mais valorizadas do que os meus sentimentos, pois ninguém nunca parou para me perguntar sobre o que estou sentido e se estou realmente sofrendo. Talvez o tempo ajude, talvez não. Preciso parar de ficar aqui assistindo tudo de camarote e fazer alguma coisa mudar. É, se eu seguisse os meus próprios conselhos. Sempre falo que o dia será diferente, mas acaba sendo a mesma coisa que o outro. A mesma rotina, mesmos lugares, mesmas pessoas tentando me perturbar. Acabo chegando a conclusão que a única “errada” na história sou eu. Por que todos são tão diferentes de mim? Todos com máscaras, prontos para trocá-las a cada minuto, e eu aqui, com a mesma cara de monotonia. Sim, algo está errado por aqui. Acho que sou eu. Sempre acredito que o mundo é um conto de fadas e que todas as pessoas são amáveis e compreensivas. Mas na verdade o mundo é uma história de terror, em busca de alguém para colocar a culpa de todas as tragédias. Estamos em plena guerra, um tentando derrubar o outro para se sentir melhor. A troco do quê? De uma glória momentânea, ser o centro das atenções (…) Ai ai, se existisse remédio para fazer problemas desaparecem, acho que todas as farmácias sairiam lucrando. Não sou a única que tenho problemas. Que tento esconder tudo o que sinto. Algumas pessoas têm um jeito frio de ser, por já terem passado por problemas, outras, porque apenas querem ser diferente. E eu? Bem, acho que irei continuar assistindo toda essa tragédia em busca de alguma resposta clara que me faça entender a graça de todos se sentirem assim. Desse jeito igualado, contínuo.” —  Isadora + Letícia (trancafiadas)

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1 year ago
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O pior é que tá frio, e não é só o clima lá fora.
E pensa que eu nunca observei os casais no parque da cidade? Pensa que eu nunca quis formar um parecido com um daqueles? Pensa que eu nunca pensei em ouvir tua banda preferida, só na esperança de começar a gostar dela? Pensa o que? Pensa que eu nunca tentei? Nunca me esforcei? Esse tipo de coisa não acontece de uma hora para outra, nem do dia para a noite, elas talvez nem aconteçam, se é que você me entende. O barulho que há lá fora é ensurdecedor, mas o que tem aqui dentro consegue ser pior que qualquer um, é de te fazer perder a cabeça, pouco a pouco, te enlouquecer. Eu já morri de amor, morri de saudade, morri de vontade, e durante todas essas mortes, esse barulho me incomodou. Ele me dizia uma coisa que não tinha como ouvir, me dizia coisas que não tinha como definir. Fracassei todas as vezes que tentei entender, todas as vezes que parei para ouvir, mesmo em meio a tanto barulho. Eu nunca gostei da sensação do incerto, ou até mesmo do errado. E agora você tem a resposta do porquê eu nunca me apaixonei verdadeiramente por ninguém. Amores platônicos? Tive vários, mas nenhum que fosse suficiente o meu esforço. E faz tanto tempo, tanto tempo que tá tudo fora do lugar, que eu sinto como se tudo o que eu fiz, foi errado; eu estava errada em não amar? Não dizem que amar é sinônimo de “se foder”? E se eu fiz isso como uma “forma de proteção”? Não podem me culpar por ter amor próprio e auto-proteção. Caso eu não faça isso, quem me garante que no fim das contas eu vou terminar bem? Quem me garante que eu não vou ter o coração quebrado por um idiota qualquer? Olhe, não sei se você entende a minha preocupação. Minha preocupação em querer estar sempre na melhor, apenas para não gastar meu precioso tempo chorando. Não quero gastar meus band-aids emocionais porque um garoto qualquer por ai não me deu o valor que eu mereço. Como já disse antes, essa vontade de estar com alguém de um jeito tão prazeroso como desses casais que eu vejo na rua, se você quer saber, essa vontade é enorme. É grande demais, entende? Eu quero estar com alguém, mas eu preciso saber se essa pessoa quer estar comigo. E agora que eu percebo que tá faltando algo, eu me torturo dizendo que não é isso. Que não é essa obsessão por ter um amor correspondido. Por isso eu estou aqui, vivendo de minhas escritas. Minhas escrituras. Não torturando a dor, não cutucando a ferida - e sim usando essa técnica como uma tática de auto-proteção, novamente. Não posso negar que eu sinto que preciso daquilo. Daqueles abraços, de todo aquele carinho. É como se tivesse um vento forte batendo no meu rosto, e eu não tivesse jeito nenhum de me proteger. Porque tá frio aqui dentro, aqui dentro do meu coração. Aqui nesse lugar onde deveria ter alguém, preenchendo todo esse espaço. Alguém que também tivesse um espaço que eu preenchesse. É como se, toda vez que eu vesse um casal feliz, aos beijos e aos abraços, esse frio me invadisse. Não é um frio comum, se é que você me entende. E o pior é que tá frio, e não é só o clima lá fora.
Amanda e Maria Beatriz, (trancafiadas).
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2 years ago
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“Eu não quero passar o resto da minha juventude trancada neste quarto, chorando por pessoas fúteis que não merece nem uma gota das minhas lágrimas. Não quero perder todas as oportunidade boas da minha vida por causa de babaquices da sociedade. Não quero e não posso. Eu preciso me reerguer, preciso parar de correr atrás de quem não me da nem um pouco de atenção, que diz que esta com saudade mas não da nem um passo pra me procurar. Preciso tratar as pessoas com indiferença, como elas me tratam. Preciso parar de me iludir com sorrisos, gestos, palavras. Ta na hora deu mostrar pra essas pessoas que não sou mais aquela garotinha ingênua de antes, que engolia piadinhas sobre mim ou sobre a minha aparência. Esta na hora delas verem que a garotinha cresceu, aprendeu a se lidar com falsidades e criancices… Que deixou de ser boba, que deixou mais ainda de se importar com o que dizem sobre ela, que aprendeu há não se levar mais pelas opiniões de alguém. Agora me sinto mais forte para encarar toda essa sociedade que me repreende, para encarar a todos que um dia me colocaram lá em baixo, que um dia me fizeram chorar, que um dia me disseram que eu nunca iria vencer, está bem mais que na hora de seguir em frente e deixar apenas isso no passado, esquecer essas decepções, magoas, tristezas, lembranças ruins, que me torturam, já chega, agora é tempo de descobrir coisas novas, conhecer pessoas novas, e sair dessa rotina monótona, quero coisas diferentes, quero que algo surpreendente aconteça na minha vida, quero seguir caminhos diferentes, quero viver uma nova experiência a cada dia […]” Júlia feat. Gabriela (trancafiadas).

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2 years ago
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Antes de tudo, quando você abrir esta carta, não pense que é para te perdoar. Eu quero respostas. Imagine se eu tivesse ido. Eu podia ter conhecido pessoas diferentes, lugares diferentes e até comidas diferentes. Poderia ter me apaixonado, feito amigos e criado laços. Eu seria bastante feliz, quem sabe. Iria estar segura com outras pessoas, e não me importaria mais com você. Se eu tivesse ido, me esqueceria. Me esqueceria de todos os beijos, os abraços e os carinhos. Me esqueceria de tudo que foi  bom. E do que foi ruim, também. Às vezes penso que deveria ter ido mesmo, sim. Mas não é óbvio? Não importa onde eu estou, e com quem eu estou. Você sempre da um jeito de estar lá. Lá, dentro do meu coração. Calma aí, você deve estar pensando que isso é uma carta de amor. Não, não. Eu fiquei, é verdade. Eu fiquei, porque queria você assim, ao meu lado. Bem pertinho, em corpos. Queria, precisava – tanto faz. Eu fiquei, e vivi bons momentos com você. Não vou negar que você fez bem para mim, de um jeito que ninguém mais faria. É, você fez. Não faz mais. Você deixou de me fazer bem no momento em que partiu. Você foi embora, como se eu não tivesse aberto mão de um futuro por você. Você não se privou de nada por mim. E agora, você deve estar pensando que lhe escrevo pedindo para voltar. Também não, isso seria como me render e gritar que eu não vivo sem você. Eu gostaria de saber por que me deixou aqui. Eu gostaria de te entender, saber onde você jogou todo aquele amor que dizia sentir, e por que fez isso. Meu coração não decide se quer te amar, já sofreu tanto que está começando a pensar com cautela antes de se abrir para alguém. Aliás, é claro que eu não poderia me esquecer dessa parte: você foi bom pra mim. Foi bom em vários sentidos. Esse amor doentio também foi muito ruim, é óbvio. Você me fez sofrer, me fez chorar, me fez te perseguir, me fez me sentir sozinha e me fez sentir coisas inexplicáveis que eu jamais imaginara sentir em toda a minha vida. Mas você também me fez sorrir ao lembrar de você, me fez ter boas noites de sono em que eu sonhava com você, me fez acreditar em tantas coisas, me fez sonhar com um futuro junto à você… Contudo, não é exatamente disso que eu estou falando. Você também me fez ficar forte. Me fez aprender que eu não vou encontrar príncipe encantado algum, e que sempre vai havar um sapo idiota para brincar com o meu ingênuo coração. Amanda e Luiza (trancafiadas).

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2 years ago
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“Nestes anos e mais anos que passei trancada neste quarto aprendi tanta coisa. Sim, fui muito ingênua com muitas as pessoas e até com o meu próprio eu, mas com um certo tempo aprendemos a crescer e não se importar com o que dizem e com o que acham de nós. Depois de tantos tropeços, decepções acabamos que tomando vergonha na cara e passamos a ter uma cabeça mais formada. Antes eu acredita em cada “eu te amo” que me diziam, hoje não acredito em todos e duvido da maioria. Aprendi que as pessoas não são do modo que pensamos e nem do jeito que elas dizem. Que minha melhor amiga sou eu e mais ninguém. Aprendi que não é todo mundo que quer o nosso bem, que só está ao nosso lado por interesse em algo. Aprendi a parar de correr atrás de pessoas inúteis que só me fez sofrer. Aprendi que o amor não é aquele sentimento tão bom quanto as pessoas dizem. Passei todos os anos sendo humilhada, fingindo sorrisos, sendo chamada de estranha… É foram anos difíceis, muito difíceis mais bons por um objetivo. E também certas mudanças são necessárias, por mais que eu seja egocêntrica e pessimista, eu aprendi a lidar comigo mesma. Sonhos? Esses tais foram se despachando a medida que o meu ego foi se esvaindo pelas minhas respirações. Desejos? Acabaram que enterrados num fundo qualquer aqui dentro de mim, aliás, temos que nos satisfazer com o que temos em mão. Eu tive que cair muito pra poder ver que nem tudo o que eu queremos é do nosso jeito, me machuquei por demais para saber que nem todo “Ah esquece, estou bem.” é verdadeiro, e eu não falo isso da boca pra fora. Talvez se eu puder criar agora a coragem de sair deste quarto que tanto me aflige de uma sociedade que muda constantemente assim como as nuvens saem dos lugares toda hora, eu possa coloca em prática tudo o que eu consegui adquirir. Por mais que me derrube mais e outra vez, eu tenho que tentar agora enxergar que, todos precisam de mudanças pra poder viver. Sejam elas as mais drásticas até as mais simples […] aprendi comigo mesma que eu sou uma metamorfose. E que amanhã… bem, amanhã é outro dia.Júlia (suicida-oculta) e Talissa (desvairar-me). Trancafiadas

39 notes
2 years ago
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"Então aqui estamos. É, olhe para nós. Tanto mudou, tanto passou, tanto machucou, tanto curou, e ainda estamos juntos. Nossa amizade se tornou algo muito maior do que eu jamais poderia imaginar. Lembro-me de muitos momentos, mas ainda assim, não de todos, e isso não basta para mim. Preciso tê-los aqui, tão tangíveis como se acontecessem neste momento. Segredos, lágrimas, mentiras, verdades, separações, medos, risadas despreocupadas, problemas, bobeiras, desejos, promessas. Como podem pedir-nos que deixemos tudo isso para trás e sigamos em frente? Como podem dizer-nos que acabará em breve? Como podem banalizar nossas lágrimas? Vocês fizeram-me quem sou. Reconstruíram essa garota aqui dentro, quando eu já não conseguia mais. Fotografias guardadas ao fundo da gaveta me dão um sufocante aperto no peito, gostaria de poder viver todos aqueles momentos as vezes que assim desejasse. Recordo-me quando eu não era suficientemente forte para conter as lágrimas e desatava num pesado choro no ombro de qualquer um de vós, e passado uns dez ou quinze minutos já estava a soltar grandiosas risadas descontroladas. Estarei eternamente grata pela vossa enorme paciência, sempre conseguiram ouvir os meus dramas amorosos e familiares com a maior das atenções tentando fazer os possíveis para me aconselhar e me ver com um genuíno sorriso. Sinto ainda hoje aquele friozinho na barriga e a adrenalina a correr-me pelas veias, tal como me sentia quando quebrávamos as regras e nos lançávamos para o radical. Tantas loucuras cometemos juntos, tantos sermões de uma ou mais horas ouvimos por parte dos nossos pais quando éramos descobertos. A nossa amizade encontra-se numa corda bamba, a inseguridade que transporto no peito é grandiosa e compulsiva. Todas as noites rezo pela nossa amizade e prometo que farei os possíveis para ela não ter fim. Isto tudo porque esta amizade é a mais pura e perfeita que algum dia poderei ter em toda a minha vida." - Catarina (p-erfumada) + Mari (melancolica-mente) | Trancafiadas

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2 years ago
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Por que deixaste assim? Criada para suportar a dor e traição, desde cedo, venho cumprindo meus deveres. Ausentei-me na aula sobre ser feliz?Desde quando você se foi, as coisas se tornaram mais tristes, menos coloridas. Pensei em virar artista, colorir o mundo outra vez. Mas para isso eu precisava de cores na minha vida, o que claramente perdera. Depois pensei que poderia desenhar em preto e branco, como muitos, em uma tentativa de descarregar meus pêsames. Mas não fazia sentido colocar mais tristeza no mundo, como se minhas lágrimas não bastassem. Pensei em ser atriz, quem sabe vivendo vidas alheias e criadas por especialistas pudesse ser menos doloroso. Não que eu tenha falhado, só achei que não valia a pena perder meu tempo vivendo outra vida. Aí pensei em dançar, mas só passou pela cabeça. Eu, justo eu, a garota de passos tortos e jeito desconcertado… Não. Pensei que poderia ser advogada, é. Funcionaria, sabe, sempre gostei de questões jurídicas, mas sempre tem aquela história de resolver antes o seu problema, depois os dos outros. E isso incluiria psicologia, também. (Na verdade, pensava era em me tratar em uma clínica, ou se internar em um hospício de vez) Mas aí, querido amor, eu decidi. Decidi fazer o que adoro. Ou odeio, na maioria das vezes. Decidi fazer aquilo que me faz sentir. Por mais doloroso que seja, me faz sentir você. Resolvi escrever porque assim resgato lembranças que tentavam escapar em dias de tensão e loucura. Procuro lembrar seu amor, sua ternura e seus carinhos. Quero-te de volta. Preciso-te. E procuro saciar essa vontade cega em meus textos. É, em todos aqueles textos que estão transbordando de sentimentos, de mágoas, que estão tão transbordados de você. Eu tento até negar, mas a verdade é que os meus malditos textos são feitos de somente uma coisa: você. É, você, você, você. Estou cheia de tanto você. Pena que eu não possa me desgrudar desse sentimento, desse amor doentio que não serve para absolutamente nada. Você é como um chiclete: grudou em mim e não se solta mais. Queria eu poder dizer que a partir de hoje vou julgá-lo como um chiclete velho, que não tem mais gosto. Mas essa não é a verdade. Eu ainda preciso de você. Ainda preciso desse sentimento que me deixa acordada por muito tempo pensando em ti, aquele em que, ainda hoje, tento encontrar o lado bom. - Amanda e Luiza, (trancafiadas)

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2 years ago
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“Não vou mais chorar”. Eu que havia prometido nunca mais fazer isto, mas agora estou aqui, jogada nesta cama, com a porta trancada, com o rosto inchado, os olhos vermelhos de tanto chorar… Viro noites e mais noites relembrando tudo que aconteceu e deixou de acontecer também. Eu tentei diversas vezes convencer-me de que eu iria te esquecer, que iria conseguir superar isso. Mais infelizmente não é fácil esquecer teus beijos, teu sorriso, teus abraços, não é fácil esquecer você, preciso admitir. Teu cheiro ainda me persegue, o vento ainda insiste em me trazer um pouco de você, olho em diversos rostos tentando encontrar o teu novamente, nem que seja apenas mais uma vez, eu fico a relembrar o som da sua voz, da tua risada tola, do jeito bobo quando estava com ciúmes. Prometi a mim mesma, diversas e diversas vezes que não iria mais chorar quando ligasse o rádio e ouvir a nossa musica tocar. Eu vou contra todas as promessas que fiz a mim mesma, mesmo assim nada vai me deixar esquecer dos momentos que passamos juntos. Lembro perfeitamente de quando te vi pela primeira vez, de quando ríamos juntos, quando falávamos nossas coisas sem sentidos, das piadas bobas que tu me contavas. Não vou esquecer-me das mensagens antes de dormir, das ligações de madrugada, das conversas sem fim e das promessas, promessas que por sua vez não foram cumpridas, promessas de um tal amor  - nunca soube se realmente existiu -  que iria durar pra sempre, mas que eu nem você fomos capazes de manter-la, principalmente a que mais prometeste… “Nosso amor vai ser eterno, eu prometo te minha pequena”, você se lembra dela? Todos os dias prometias isto, ainda não lembraste? É, realmente acho que esqueceu dela, percebi tua menor hesitação ao dizer – por mais que tua entoação de brincadeira tentasse disfarçar – que não lembrava mais de tal. Talvez não foi possível cumpri-la, porque as coisas tenham sido complicadas demais ou difíceis, eu entendo, nunca fui uma pessoa fácil de se lidar, não querendo me fazer de vitima, de a injustiçada, mas tu poderias ter insistido mais, não era tão complexo assim, enfim, digo-te hoje, que eu queria cumprir as tais promessas – pelo menos as minhas -  ou melhor, queria fazer com que aquele tal de “para sempre” durasse mais um pouco, mais um pouco a cada instante, um pouco mais a cada minuto, a cada hora, cada dia, sempre […] Meu problema é este, insistir, sempre fui eu o problema, se não me fiz esquecer-te, é porque sempre achei que tu voltarias, baterias em minha porta e tudo voltaria ao que era antes, que bobeira a minha, enfim, que seja eterno, mas um eterna como mais uma lembrança que tu tem lembras do nada e ri, e vê que te fez aprender, que seja só isso, que poupe-me lagrimas, pois não vou mais chorar […] Fernanda e Júlia (trancafiadas)

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2 years ago
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“E esse meu humor? Essa minha vontade de viver? Onde mesmo que deixei minhas motivações? Aquela bagunça que mais parecia o meu quarto, consegui mesmo me organizar? O tempo passa e toda essa abstinência de me ter bem morreu, estou-me sentindo inerte, fria, intacta. Talvez um monstro, que ninguém ousa a chegar perto por medo de eu machuca-los. Me sinto dependente de algo que nem existe, de sentimentos expostos ao nada e aceito por aqueles que nunca quis um sorriso meu. Sou um brinquedo que passa de mãos em mãos, que faz as pessoas se sentirem bem e depois de momentos proporcionados me deixam em um canto sem vida, até outra vir e achar. Perdida talvez, mas não é necessário me ter tão desapropriada para aguentar dia pós dias nesse estado. Onde foi mesmo todo o egoísmo, orgulho e calculismo? Onde foi que eu levei a sujeira da minha cabeça? Debaixo do tapete só encontro recordações remoídas, no armário apenas sentimentos cobiçados e raros. E em mim? O que resta mesmo? Todas as noites me deparo a pensar numa solução para esta desmotivação que me cobre por inteiro. Contemplo as estrelas tão distantes e a lua tão brilhante que me ilumina o rosto com seus raios fazendo sobressair as minhas escuras e salientes olheiras. O chão do meu pequeno e escuro quarto está coberto de papéis amassados, onde eu coloco os meus sentimentos escritos com a tinta da minha velha e rústica caneta. Dentro de mim ouvem-se gritos escandalosos que pedem por carinho e atenção. O meu coração está vazio de amor, a adrenalina e a vontade de viver saíram do meu corpo faz tempo, perderam-se neste exato mundo de dementes. Como dizem por aí que o amor pode estar em qualquer esquina, já saí do meu porto seguro e vaguei por qualquer tipo de rua e becos sem saída e virei nas mais diferentes esquinas com os olhos a percorrerem o que me rodeava. Apenas encontrei um pouco de nostalgia que me possuiu mas um pouco a minha pobre e entristecida alma. Ele é a minha cura, o meu remédio mais eficaz e a minha salvação. Ele não é nenhum moço encantador bem-parecido. Ele personifica a perfeição. Ele é a motivação. Ele chama-se Deus.” desvairar-me mais p-erfumada | trancafiadas